Minoxidil tópico: shedding e outras dúvidas frequentes - Fabiana Caraciolo

Minoxidil tópico: shedding e outras dúvidas frequentes

minoxidil tópico

O minoxidil  foi usado primeiramente, na década de 70, para tratar hipertensão arterial de difícil controle, pois é uma medicação que causa dilatação das artérias. Observou-se, porém, naquela época, que, em grande parte dos pacientes tomando esta medicação, havia um crescimento de pelos como efeito colateral. A partir daí, começou-se a estudar o  uso da medicação quando aplicada diretamente no couro cabeludo.

O minoxidil foi o primeiro e permanece como o único medicamente de uso tópico aprovado pelo FDA (órgão de regulação de medicamentos nos Estados Unidos) para tratamento de alopecia androgenética (calvície) em homens e mulheres.

Não se conhece ainda o exato mecanismo de ação do minodixil, mas acredita-se que ele atue, pelo seu efeito vasodilatador, levando a uma maior chegada de sangue aos folículos, e que também seja capaz de aumentar a produção de fatores de crescimento importantes para os folículos.

O resultado destas ações do minoxidil no folículo seria um aumento da duração da fase de crescimento (fase anágena), ou seja, corrigindo o problema de encurtamento desta fase que ocorre na calvície. Consequentemente, permite a formação de pelos mais longos e mais grossos.

 

É importante saber que o minoxidil não deve ser utilizado sem orientação médica, pois, antes de qualquer tratamento, deve ser feito um diagnóstico da verdadeira causa da queda/perda de cabelo do paciente. Existem muitas causas de queda de cabelo cujo tratamento não é o minoxidil e que podem levar até à perda definitiva de cabelos.

Além disso, o minoxidil não é livre de efeitos colaterais. Pode haver aumento de pelos na face e outras áreas vizinhas, quando a medicação escorre ou se é aplicada pouco antes de dormir, “contaminando” o travesseiro. O ideal é se deitar após pelos menos 2 horas após a aplicação do minoxidil.

A absorção sistêmica do minoxidil aplicado no couro cabeludo é mínima, se usado na dose máxima de 1 ml, uma ou duas vezes ao dia (se mulher ou homem, respectivamente). Mas, embora raro, quando usado em doses maiores, a absorção também será maior e pode levar a aumento de pelos inclusive em áreas distantes do couro cabeludo. Por isso, nunca use o minoxidil em doses maiores do que a recomendada pela (o) sua (seu) dermatologista. Não aumentará o benefício e sim o risco.

O aumento de pelos na face devido ao uso de minoxidil é mais frequente em mulheres e resolve-se em torno de 1 a 3 meses após a parada da medicação.

A sensação de coceira com o uso do minoxidil, geralmente é devido à irritação ao propilenoglicol presente na fórmula. Mas pode ser também por alergia, então, o primeiro passo é investigar, através de um teste de contato, para saber se a coceira é por dermatite de contato ao próprio minoxidil ou apenas ao propilenoglicol. Se a alergia ou irritação for ao propilenoglicol, existem, como opção, produtos à base de minoxidil sem aquela substância.

O minoxidil sem propilenoglicol industrializado só é disponível fora do Brasil e, além de ser uma opção para os alérgicos ao propileno, costuma agradar aos pacientes que não se adaptam à cosmética do minoxidil usual.

O minoxidil tópico também não costuma baixar a pressão arterial dos pacientes.

O minoxidil tópico é proibido na gravidez, mas é liberado na amamentação.

Costumo atender muitos pacientes que chegam a parar o uso de minoxidil ou mesmo nem começam a usá-lo por medo do chamado “shedding”, que é o aumento da queda de cabelo que ocorre cerca de 2 a 6 semanas após o início do tratamento. Porém, este “shedding” não deve ser temido, pois, é apenas um sinal de que a medicação está funcionando. O minoxidil apenas acelera a queda dos fios que já estavam para cair e estimula os folículos que estavam sem conseguir formar novo pelo, há certo tempo, para passarem para fase de crescimento. Esta fase de “sheddind” costuma durar cerca de 2 meses.

Recomenda-se a aplicação do minoxidl no couro cabeludo seco e, depois disso, os cabelos não devem ser lavados por no mínimo 4 horas.

Não é necessário massagear o minoxidil após aplicar. Apenas espalhar de leve com o dedo.

A resposta ao tratamento com minoxidil deve ser avaliada após pelo menos 6 meses. Uma vez confirmada a eficácia, o tratamento deve ser mantido indefinidamente, ou seja, até quando o paciente deseje manter o volume do cabelo.

Quando o tratamento com o minoxidil é interrompido, haverá uma queda de cabelo excessiva depois de cerca de 3 meses, pois os fios que estavam sendo mantidos em fase de crescimento pelo minoxidil, passarão naturalmente para a fase de queda. Ou seja, não é que o minoxidil depois causará uma perda de cabelo. O que acontece é que, uma vez descontinuado o uso, ele para de agir, liberando o cabelo para a fase de queda.

Muitas vezes atendo pacientes que costumam usar  minoxidil por 2 ou 3 meses ao ano e param, e relatam que não viram resultado com o tratamento. Então é muito importante relembrar que:

  • É normal experimentar uma queda aumentada de cabelo depois de cerca de 2 a 8 semanas após o início de tratamento e que isto não é uma perda de cabelo, e sim uma troca por fios mais grossos.

 

  • Uma resposta ao tratamento só deve ser avaliada após pelo menos 6 meses, pois terá passado a fase de shedding e também o fio já terá alcançado um comprimento que o deixe mais visível.

 

  • O tratamento só funciona enquanto a medicação é usada. Parou de usar, cerca de 3 meses depois, o resultado alcançado começará a ser perdido. Ou seja, a calvície voltará ao estado anterior ao tratamento.

Então, quem usa por 2 ou 3 meses e para nem começou a experimentar o resultado do minoxidil, e além disso, 3 meses depois, verificará uma queda maior de cabelo e ficará assustado.

 

O principal objetivo do tratamento com minoxidil na calvície, assim como as demais medicações usadas para combatê-la, é bloquear a piora da doença: o afinamento progressivo de cabelos e perda de folículos. Algumas vezes conseguimos engrossar alguns fios afetados pela doença, e, pode haver nascimento de pelos novos, mas isto nem sempre ocorre.

Importante dizer que o minoxidil não é capaz de engrossar pelos que sempre foram finos.

 

Costumo dizer que “tempo é folículo” e, na alopecia androgenética, isto é verdadeiro, pois quanto mais cedo a doença é diagnosticada, melhor é a resposta ao tratamento. Já, em casos de doença de longa data, muitos folículos já foram substituídos por tecido fibroso, ou seja, naqueles locais, não nascerá mais pelo, independente do tratamento.

 

Atualmente, existe também a opção de entregar o minoxidil diretamente dentro do couro cabeludo, através da microinfusão de medicamentos na pele (MMP). Sabemos que grande parte do minoxidil aplicado sobre o couro cabeludo não é absorvida, por isso a MMP surgiu para garantir uma maior quantidade da medicação dentro do couro cabeludo, através do uso de agulhas bem finas. Saiba mais sobre a técnica de MMP e suas indicações clicando aqui.

 

E, mais recentemente, alguns trabalhos vêm apontando um benefício do uso de minoxidil por via oral em determinadas situações que devem ser bem avaliadas pelo dermatologista, já que o risco de efeitos colaterais é maior por essa via de administração da medicação. Escrevei sobre este assunto em breve.

Para saber mais sobre calvície, clique aqui.

 

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2 Comentários

  1. […] principal tratamento para a calvície em mulheres é o uso de minoxidil  no couro cabeludo. Ele é a única medicação de uso tópico que tem comprovada eficácia na […]

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