Calvície na mulher - Fabiana Caraciolo

Calvície na mulher

Calvície feminina

Calvície feminina

Quando falamos em calvície, a primeira coisa que vem à nossa mente é a imagem de um homem calvo. Mas, você sabia que as mulheres também podem ficar calvas?

Pois é, mulheres também podem ter calvície, e mais: a doença é a principal causa de perda de cabelos nas mulheres!

A longo da vida, cerca de 50% das mulheres terão algum grau de calvície. A doença pode ter início desde a adolescência, porém, costuma começar a ser percebida a partir dos 40 anos, e a incidência aumenta principalmente após a menopausa.

Por que ocorre a calvície?

O nome científico da calvície é alopecia androgenética e ela ocorre, como o próprio nome sugere, pela interação entre a herança genética do indivíduo e os hormônios androgênicos (masculinos) que a mulher também possui.

Nas mulheres, ainda não está totalmente esclarecida a ação destes hormônios androgênicos na doença. Mas, na maioria delas, os níveis hormonais estão normais e acredita-se que haja uma maior sensibilidade dos receptores aos hormônios androgênicos.

Nas demais, pode ser encontrada uma maior produção hormonal pelos ovários, como na síndrome dos ovários policístico, ou uma alteração dos hormônios das glândulas adrenais. Por isso, uma investigação hormonal se faz importante, além de outros exames para afastar outras causas que contribuem para queda de cabelo, como deficiência de um nutriente, etc.

 

Diferenças entre a calvície feminina e a masculina

Calvície masculina e calvície feminina

Um dos motivos pelos quais muita gente não imagina que a mulher também pode sofrer de calvície talvez seja a diferença do padrão de perda de cabelo entre homens e mulheres. Nos homens, a calvície se apresenta com as clássicas entradas na linha da fronte e/ou com o cabelo raleando no topo da cabeça (“coroinha do frade”, “cucuruco”, e outros apelidos). Já, nas mulheres, a doença se manifesta de maneira diferente, e pode ser percebida como:

  1. Cabelo raleando principalmente na parte frontal e topo do couro cabeludo, alargando a linha que divide o cabelo e deixando o couro cabeludo cada vez mais visível

2. Perda de volume capilar -> isto costuma ser descrito pelas pacientes como:

– Rabo de cavalo cada vez mais fino e precisando dar mais voltas no elástico

– Cabelo agora cabe todo em uma mão

 

3. Cabelo afinando com o tempo

4. Queda de cabelo aumentada

5. Cabelo não cresce mais como antes

A calvície na mulher costuma ser mais difusa que no homem, de forma que, a parte posterior da cabeça também costuma ser afetada, levando a falhas e diminuição de volume.

 

Algumas mulheres afetadas pela calvície apresentam também outros sinais de aumento da ação dos hormônios androgênicos (“masculinos”) como aumento de pelos no rosto, couro cabeludo oleoso e espinhas.

 

Calvície feminina devido ao uso de hormônios “masculinos”

Na busca por aumento da energia, da libido e de massa muscular, algumas mulheres optam por usar hormônios “masculinos” (gestrinona, testosterona, entre outros) seja em forma de gel, creme ou implante (como o famoso chip da beleza, ). Porém, o uso destes hormônios traz efeitos colaterais desagradáveis além do risco à saúde do ponto de visca cardiovascular, risco de comprometimento do fígado, etc.

Queda de cabelo, acne e pelos e engrossamento da voz são as mais comuns alterações indesejadas em mulheres que utilizem estes hormônios.

Nestes casos, a perda capilar assume então uma forma que se assemelha à calvície masculina, como recuo da linha frontal dos cabelos, formando entradas ou com recuo de toda linha.

 

Diagnóstico da calvície em mulheres

Além da história e da avaliação dermatológica usual, existe um exame fundamental no diagnóstico da queixa capilar: a tricoscopia. A tricoscopia é um exame realizado através de uma aparelho chamado dermatoscópio, que permite imagens bastante aumentadas do couro cabeludo e dos fios de cabelo.

Na tricoscopia, então, o dermatologista procurará os critérios para calvície. Um destes critérios é a quantidade aumentada de fios finos, indicando miniaturização dos folículos. Fazemos a tricoscopia do couro cabeludo da região frontal e comparamos com a região occipital (posterior).

Tricoscopia: dermatoscopia do couro cabeludo comparando os pelos da região frontal com os da região occipital

A tricoscopia permite também, ao dermatologista, avaliar a resposta ao tratamento após 6 meses do seu início.

Exames de sangue muitas vezes são solicitados para investigar uma causa hormonal para a calvície e também para excluir outras causas de cabelo associadas, como uma deficiência nutricional, por exemplo.

Biópsia de couro cabeludo é necessária em casos muito iniciais ou quando se suspeita de outros tipos de alopecia associados, como alopecia areata ou uma alopecia cicatricial.

 

Tratamento da calvície feminina

O principal tratamento para a calvície em mulheres é o uso de minoxidil  no couro cabeludo. Ele é a única medicação de uso tópico que tem comprovada eficácia na alopecia androgenética. Nos últimos anos, ele vem sendo usado também através de injeções no couro cabeludo, através de mesoterapia convencional ou pela técnica MMP, e, mais recentemente ainda, por via oral (em breve escreverei artigo sobre isto).

Naqueles casos em que há outros sinais de importante participação dos hormônios “masculinos” em sua origem, podem ser utilizadas medicações com propriedades antiandrogênicas como a espironolactona e alguns anticoncepcionais contendo progesteronas antiandrogênicas.

Diferentemente da calvície masculina, onde a finasterida é a principal medicação utilizada, na calvície feminina, o uso desta droga é controverso.  Alguns médicos não usam, outros a usam apenas em mulheres pós-menopausadas, e outros a usam mesmo em mulheres em idade fértil.  A indicação do uso da finasterida em mulheres é “off label”, ou seja, não indicada na bula, mas existem estudos científicos que comprovam a sua eficácia em mulheres com calvície. A dose eficaz nas mulheres, porém, é diferente da usada em homens. A automedicação deve ser evitada e será o dermatologista quem pesará riscos e benefícios do uso da finasterida no seu caso e lhe orientará todos os cuidados que terá que tomar ao optar pelo seu uso.

 

Objetivos do tratamento da calvície

A calvície é uma doença progressiva, ou seja, quanto mais o tempo passa, os fios vão ficando cada vez mais finos até que o folículo deixa de produzir pelo (de tão miniaturizado) e por fim ele morre sendo substituído por uma cicatriz (fibrose). Portanto, tempo é folículo! Quanto mais cedo o tratamento é inciado, melhores são os resultados.

 Costumo explicar para os pacientes da seguinte forma os resultados de um tratamento de calvície:

  • Expectativa realista: frear a progressão da doença, ou seja, fazer com que o paciente preserve o volume do cabelo que tem hoje ao longo dos anos de tratamento
  • Expectativa otimista e que costumamos conseguir: fazer com que os cabelos fininhos engrossem. Isto já gera uma melhora no volume capilar.
  • Expectativa mais otimista ainda e que conseguimos em alguns pacientes após cerca de 12 meses de tratamento: surgimento de novos fios em folículos que estavam em repouso (sem conseguir produzir pelos).

 

Orientações importantes na escolha do tratamento:

  1. Certifique-se que o médico realmente é dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, única sociedade de dermatologista reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Acesse o site: http://www.sbd.org.br/associados/ e digite o nome do médico.
  2. Cuidado com falsas promessas como “cura da calvície”
  3. Evite tratamentos ditos “fora do convencional” –> tratamentos que não são realizados em nenhum hospital escola (hospital universitário como da USP, Unicamp, PUC, Unifesp e outros, por exemplo). Pense bem: se o tratamento é tão eficaz, por que os maiores centros de estudo do país não iriam realizá-lo? Abra o olho!
  4. Evite tratamentos com lavagens, “choquinhos”, massagens, carboxiterapia, uso de shampoos exclusivos de uma clínica, entre outros, pois não existe comprovação científica de que realmente funcionem para queda de cabelo.

 

Para saber sobre outras causas de queda de cabelo, clique aqui.

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Dr. Emilio Ribas, 1.058.  Clínica Salève, Cambuí, Campinas, São Paulo

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