Espironolactona no tratamento da calvície feminina - Fabiana Caraciolo

Espironolactona no tratamento da calvície feminina

A espironolactona é uma medicamento classificado como diurético porque age aumentando a eliminação de água e sódio na urina, e, por isso, pode ser utilizada para reduzir a pressão e para reduzir a retenção de líquido da insuficiência cardíaca, por exemplo.

Na Dermatologia, esta medicação é usada devido à sua ação antiandrogênica que ocorre da seguinte forma:

  • Compete com a DHT (dihidrotestosterona) pelo seu receptor (“encaixe”), ou seja, a DHT vai se ligar menos ao receptor
  • Diminui a produção de testosterona

A espironolactona, no geral, costuma ser a medicação antiandrogênica de escolha para calvície feminina pela maior experiência já com seu uso em mulheres para tratamento de acne, hirsutismo e síndrome dos ovários policísticos.

 

A espironolactona é uma medicação segura a longo prazo? Tem efeitos colaterais?

Sim, ela é considerada uma medicação segura a longa prazo para mulheres, porém pode levar ao surgimento de efeitos colaterais.

Alguns dos efeitos colaterais mais frequentes são: aumento da frequência urinária, dor de cabeça, náusea, dor no estômago e fadiga. Hipotensão também é um efeito colateral possível.

Também podem ocorrer efeitos colaterais decorrentes da ação antiandrogênica como diminuição da libido, aumento e dor nas mamas, irregularidade menstrual e malformação fetal.

 

Espironolactona e gravidez

A espironolactona não deve ser utilizada na gravidez. Para fazer uso desta medicação, a mulher em idade fértil precisa estar prevenindo a gravidez com um método anticoncepcional seguro.

Ao parar o uso do método anticoncepcional, já começa a haver o risco de engravidar e, portanto, a medicação já não pode mais ser usada.

Então, ao contrário do que muitos pensam, não se deve usar a espironolactona até saber que está grávida. Ela deve ser interrompida a partir do momento em que a mulher parou de evitar a gravidez.

Quem está tentando engravidar, para nós médicos, em relação ao uso de medicações, é como se já estivesse grávida. Os cuidados devem ser os mesmos.

Caso a mulher engravide tomando a espironolactona, um dos riscos é que, se o feto for do sexo masculino, ele pode nascer com a genitália feminina.

 

Espironolactona e potássio

Quando a espironolactona aumenta a eliminação de água e sódio pelos rins, ela retém mais potássio. Apesar disto, não há necessidade de dosar o potássio antes ou durante o tratamento com a espironolactona em mulheres jovens saudáveis.

Porém, durante o uso de espironolactona, deve-se evitar:

  • Bebidas chamadas isotônicas como Gatorade pois são ricas em potássio
  • Sal light pela adição de potássio
  • Excesso de consumo de alimentos ricos em potássio: abacate, banana, tomate, beterraba, espinafre, entre outras.

 

O uso da espironolactona em dose única diária ou fracionada em 2 doses (manhã e tarde) faz diferença para o tratamento?

Para o tratamento não faz diferença; o que importa é a dose total diária. Algumas vezes, o dermatologista pede para o paciente dividir em duas doses visando reduzir a chance de efeitos colaterais como aumento da frequência urinária, tontura por redução da pressão…

 

Contraindicações

Além da gravidez, existem outras diversas situações em que NÃO podemos indicar o uso de espironolactona como amamentação, problema nos rins, no fígado, pessoas que já usam medicações para pressão alta ou que fazem uso de outras medicações como lítio, digoxina, inibidores da ECA, etc.

Quem vai dizer se você DEVE e PODE fazer uso da espironolactona é o seu dermatologista! Ele irá avaliar primeiro se você tem realmente indicação de fazer uso dela para tratamento da sua calvície e irá pesar os riscos e benefícios do uso da medicação.

 

 

Espironolactona e câncer de mama

Existe a hipótese de que a espironolactona, uma vez aumentando os níveis de estrógeno, poderia aumentar o risco de desenvolvimento dos chamados cânceres estrógenos-dependentes: câncer de mama e câncer de ovário.

Em fevereiro de 2019, foi publicado um estudo na revista Breast Cancer Research and Treatment, no qual os autores avaliaram o efeito da espironolactona nos níveis de estrógenos, através da análise de 4 outros estudos prévios, e verificaram que, na maioria das mulheres, não havia alteração significante dos níveis de estrógeno.

Os autores também observaram que, em 3 estudos que envolveram, no total, a participação de 49.298 mulheres, não houve evidência de aumento de risco de câncer de mama.

Mas, os autores relembram que não há, até o momento, estudos controlados ou de longo prazo avaliando o risco de recorrência de câncer de mama em mulheres usando espironolactona.

Resumindo:

Até este momento, nenhum estudo mostrou o aumento deste risco de câncer de mama com o uso da espironolactona em mulheres em geral,  já, em mulheres com história pessoal ou familiar de câncer de mama, nós não sabem ainda se o uso desta medicação aumenta ou não o risco de câncer de mama. 

 

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Meu vídeo sobre a espironolactona:

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