Calvície feminina - Fabiana Caraciolo

Calvície feminina

Calvície feminina

Calvície feminina

Quando falamos em calvície, a primeira coisa que vem à nossa mente é a imagem de um homem calvo. Mas, você sabia que as mulheres também podem ficar calvas?

Pois é, mulheres também podem ter calvície, e mais: a doença é a principal causa de perda de cabelos nas mulheres!

Ao longo da vida, cerca de 50% das mulheres brancas terão algum grau de calvície. Já a prevalência em asiáticas e afrodescendentes é bem menor.

A doença costuma começar a ser percebida a partir dos 30, 40 anos, quando cerca de 50% do volume do cabelo já foi diminuído.

A incidência da calvície aumenta com a idade, principalmente após a menopausa. Casos mais intensos, porém, são perceptíveis já na adolescência. 

 

O que causa a calvície?

O nome científico da calvície é alopecia androgenética, e ela ocorreria, como o próprio nome sugere, pela interação entre a herança genética do indivíduo e os hormônios androgênicos (masculinos), que a mulher também possui. Mas, nas mulheres, ainda não está totalmente esclarecida a ação destes hormônios na calvície.

 

GENÉTICA

 

 

A calvície pode ser herdada tanto do pai quanto da mãe. Um dos genes já associados à calvície feminina em relação ao risco para doença foi o do receptor do hormônio androgênico, que está no cromossomo X, por isso, foi criado o mito de que a calvície viria só do lado da mãe. Na verdade, vários outros genes também estão envolvidos na predisposição à doença e podem vir de ambos os lados da família.  A genética da calvície feminina é menos compreendida do que a da calvície masculina, e,  muitas mulheres com calvície relatam não ter ninguém na família com este tipo de alopecia. Ou seja, não ter antecedentes familiares de calvície, não exclui que a mulher vá apresentar a doença algum dia.

 

HORMÔNIOS

Também é menos entendido o papel dos hormônios androgênicos na calvície feminina. Inclusive, o termo “Female pattern Hair loss” (perda de cabelo em padrão feminino; ao invés de androgenética) tem sido preferido atualmente por muitos experts, para destacar a falta de evidência que suporte a contribuição hormonal em todos os casos da doença.

A maioria das mulheres com calvície não apresentam níveis de andrógenos  aumentados, nem sinal de hiperandrogenismo (aumento de ação destes hormônios).

Acredita-se que, em algumas mulheres, haja uma maior quantidade de receptores para os andrógenos e maior transformação de testosterona em DHT na região central do couro cabeludo, levando à miniaturização dos folículos. 

Em algumas mulheres com calvície, porém, pode ser encontrada uma maior produção de hormônios androgênicos pelos ovários, como na síndrome dos ovários policístico, ou uma alteração dos hormônios das glândulas adrenais  (temos 2 glândulas destas no nosso corpo: uma em cima de cada rim). Por isso, uma investigação hormonal se faz importante, além de outros exames para afastar outras causas que contribuem para queda de cabelo, como deficiência de nutrientes, etc.

Diferentemente do homem, ainda não foi suficientemente demonstrada a dependência dos andrógenos para o surgimento da calvície feminina, inclusive já foi relatado caso de calvície em uma mulher sem andrógenos e em uma mulher com receptores para andrógenos insensíveis.

Continua em investigação também qual o papel dos hormônios femininos na calvície em mulheres.

 

FATORES AMBIENTAIS

A prevalência da calvície feminina vem aumentando significativamente, indicando que fatores ambientais possam estar envolvidos também na sua origem. O estresse oxidativo, particularmente, vem sendo apontado como possível vilão para os folículos pilosos.

O estresse oxidativo se caracteriza pelo aumento da liberação de substâncias nocivas ás células chamadas radicais livres.

Fatores que aumentam a liberação de radicais livres

Em estudos in vitro (em cultura de células), a exposição de células das papilas dérmicas dos folículos a fatores que aumentam o estresse oxidativo diminuiu a viabilidade das células, levou a envelhecimento dos folículos, e aumentou a produção de fatores que inibem o crescimento folicular.

Além disso, investigação de fragmentos de couro cabeludo de humanos revelou que a área afetada pela calvície tem mais estresse oxidativo quando comparada à parte de trás da cabeça (occipital), que não é afetada pela calvície.

 

Alteração do relógio biológico dos folículos:

A doença causa um encurtamento da fase de crescimento do folículo piloso, e prolongamento do tempo entre a queda de um fio e o começo de uma nova fase de crescimento. Isso significa que leva mais tempo para um novo fio começar a crescer depois que o anterior é eliminado. Assim, muitos folículos permanecem vazios por muito mais tempo que o normal.

 

 

            Muitos folículos vazios por prolongamento do tempo entre a queda de um fio

                                                                          e o início de um novo fio (fase quenógena).

 

 

Miniaturização dos folículos:

Nos folículos do couro cabeludo, o hormônio testosterona é convertido em dihidrotestosterona (DHT) pela ação de uma enzima chamada 5-alfa-redutase. A DHT, por usa vez, liga-se a receptores presentes nos folículos pilosos, levando às alterações responsáveis pela calvície nos indivíduos geneticamente predispostos.

DHT causando miniaturização dos folículos

 

Normalmente, os cabelos caem e novos cabelos crescem no local com a mesma espessura e atingem o mesmo comprimento que os que caíram alcançaram. Já nas áreas afetadas pela calvície, isto não ocorre, e, a cada ciclo do cabelo, a sua fase de crescimento se torna mais curta. Dessa forma, o cabelo cresce um pouco e logo cai. Além disso, ocorre o fenômeno chamado de miniaturização do folículo piloso, processo no qual o folículo vai sofrendo uma diminuição do seu tamanho, pouco a pouco. O resultado é que o folículo passa a produzir fios cada vez mais finos e curtos, que não são mais capazes de cobrir adequadamente a cabeça.

 

 

Microinflamação

Atualmente, sabemos que, em alguns pacientes com calvície, existe uma inflamação leve a moderada ao redor dos folículos, em seu terço superior chamado infundíbulo. O termo microinflamação é usado para diferenciar da inflamação que ocorre nas alopecias cicatriciais.

Além disso, na calvície,  também pode ser encontrada fibrose leve ao redor dos folículos.

 

Substituição dos folículo por fibrose

A alopecia androgenética é classificada como um tipo de alopecia não cicatricial. Mas, como vimos anteriormente, no processo de miniaturização, o folículo vai sofrendo uma diminuição do seu tamanho, pouco a pouco e, como avançar da doença alguns deles são substituídos por fibrose (cicatriz), não sendo possível mais nascer fios de cabelo naquele local. E, é justamente por isso que é tão importante fazer o diagnóstico precoce da calvície. Quanto mais cedo é iniciado o tratamento, melhores são os resultados, pois menos folículos foram perdidos.

 

Minha mãe e pai são calvos. Eu certamente terei calvície?

 

 

Não necessariamente será também. A doença é causada por muitos genes diferentes, mas você pode não herdar nenhum destes genes dos dois genitores e, assim,não desenvolverá calvície.

 

 

Como reconhecer a calvície feminina?

Um dos motivos pelos quais muita gente não imagina que a mulher também pode sofrer de calvície talvez seja a diferença do padrão de perda de cabelo entre homens e mulheres.

Nos homens, a calvície é facilmente identificada pois  se apresenta com as clássicas “entradas” na linha da frente da cabeça e/ou com o cabelo raleando no topo da cabeça (“coroinha do frade”, “coroa”, “cucuruco”, entre outros apelidos).  Já, nas mulheres, a doença se manifesta, geralmente, de maneira diferente, sendo mais difícil o seu reconhecimento em fases iniciais.

Calvície masculina e calvície feminina

 

–> Em que a mulher deve ficar de olho para tentar reconhecer a calvície no seu comecinho:

 

1) Risca que divide o cabelo alargando:

Com o afinamento progressivo dos fios, o cabelo vai raleando principalmente na parte frontal e topo do couro cabeludo. O resultado é um alargamento da linha que divide o cabelo, deixando o couro cabeludo cada vez mais visível.  Em casos avançados, pode haver ausência quase total de cabelos na região afetada.

 

 

A calvície feminina costuma ser mais extensa que a masculina. Assim, com o tempo, pode haver uma perda difusa de cabelos na parte superior, lateral e posterior da cabeça,  geralmente preservando a linha da frente do cabelo.

 

 

 

2) Redução do volume capilar:

A calvície feminina também pode ser percebida a partir de uma diminuição do volume capilar:

💠 Rabo de cavalo ficando cada vez mais fino e precisando dar mais voltas no elástico;

💠Cabelo agora cabe todo em uma só mão

💠Trança cada vez mais fina

 

3) Entradas

Sim, a mulher também pode desenvolver o padrão masculino de calvície, com recuo da linha da frente dos cabelos, formando entradas ou com recuo de toda linha da frente.

 

 

 

Este padrão é mais frequente em mulheres com:

  • Excesso de hormônios androgênicos, seja por maior produção pelos ovários ou glândulas adrenais

 

  • Uso de hormônios masculinos (gestrinona, testosterona, entre outros), seja em forma de gel, creme ou implante (como o famoso chip da beleza,), na busca por aumento da energia, da libido e de massa muscular. Porém, o uso destes hormônios traz efeitos colaterais desagradáveis, inclusive com risco à saúde do ponto de vista cardiovascular, risco de comprometimento do fígado, etc. Queda de cabelo, acne, aumento de pelos e engrossamento da voz são as  alterações indesejadas mais comuns em mulheres que utilizam estes hormônios.

 

4) Aumento da queda de cabelo

Queda de cabelo aumentada também pode ser um sinal de calvície, uma vez que, na doença, a fase de crescimento do cabelo é encurtada, e assim, mais folículos passam ao mesmo tempo para fase de queda prematuramente. Mas queda de cabelo não é a principal característica da doença e deve-se lembrar que existem inúmeras outras causas de queda de cabelo, que inclusive podem acontecer junto com  a calvície, daí a importância de passar com dermatologista diante de qualquer alteração capilar.

 

Como o dermatologista consegue fazer o diagnóstico da calvície feminina mesmo nas fases iniciais?

Geralmente a calvície só é notada pelas mulheres quando 50% do volume dos cabelos já foram perdidos, por isso, vale a pena fazer um check up capilar com um dermatologista para investigar estágios iniciais da doença

A primeira parte da consulta é chamada de anamnese: uma conversa entre médico e paciente em busca de detalhes no seu histórico pessoal e familiar que possam estar relacionados à sua queixa.

Após uma anamnese detalhada, será realizado o exame dermatológico que inclui a dermatoscopia do couro cabeludo e dos fios de cabelo (tricoscopia).

A tricoscopia é um exame muito importante no diagnóstico da calvície feminina, principalmente nos estágios iniciais.

É realizada através de um aparelho chamado dermatoscópio, que permite ampliar bastante a imagem do couro cabeludo e dos fios de cabelo.

Tricoscopia: dermatoscopia do couro cabeludo e dos fios

Para o diagnóstico de calvície feminina, nós comparamos imagens da região frontal com as da região occipital (parte posterior da cabeça) em relação à espessura, quantidade de fios por unidade folicular, entre outros critérios.

Tricoscopia de uma calvície em mulher

A tricoscopia permite também ao dermatologista avaliar a resposta ao tratamento após 6 meses do seu início.

Algumas vezes, em casos muito iniciais, porém, a tricoscopia não é suficiente para fechar o diagnóstico de calvície e, nestes casos, é indicada a biópsia de couro cabeludo. A biópsia também é realizada quando há suspeita de outros tipos de alopecia ocorrendo juntamente com a calvície, como alopecia areata ou uma alopecia cicatricial.

 

Biópsia de couro cabeludo com punch

 

A biópsia de couro cabeludo é um procedimento cirúrgico no qual um pequeno fragmento do couro é retirado pelo dermatologista, para que seja analisado ao microscópio pelo médico patologista. Ou seja, permite entender o que realmente está acontecendo dentro do couro cabeludo, tanto em relação aos folículos, quanto à pele ao seu redor.

A biópsia de couro cabeludo necessita ser realizada de maneira adequada em relação à escolha do local (sempre guiada pela tricoscopia),  tamanho e profundidade do fragmento, envio para patologista com experiência neste tipo de tecido, e, posteriormente, interpretação do resultado do anatomopatológico pelo dermatologista.

 

Existe algum exame de sangue para detectar calvície?

Existe um teste genético que determina  o número de cópias das repetições CAG no gene para o receptor de andrógeno (gene AR). Quanto menor o número de repetições, maior o risco de desenvolver alopecia. Porém, como este teste envolve pesquisa de apenas um gene e a doença é poligênica (envolve a participação de vários genes), um teste indicando baixa probabilidade de desenvolver esta alopecia não exclui o diagnóstico.

Nós, dermatologista, inclusive, não costumamos solicitar este exame.

 

Tratamento da calvície feminina

💠Objetivos:

Em primeiro lugar, é importante lembrar que a calvície é uma doença crônica, assim como a pressão alta,  então não existe uma cura para ela, e sim, tratamento, que, para que os cabelos mantenham-se preservados, precisa ser feito continuamente.

O principal objetivo do tratamento é frear a progressão da doença, ou seja, fazer com que a paciente preserve o volume do cabelo que ela tem hoje ao longo dos anos de tratamento.

Mas, algumas vezes, conseguimos engrossar os fios finos e até nascimento de cabelinhos novos de folículos que estavam há muito tempo em repouso.

Então, uma vez que consigamos estabilizar a doença, isto já é considerado um tratamento de sucesso.

 

💠Medicações geralmente utilizadas:

MINOXIDIL TÓPICO

O minoxidil permanece como o único medicamento de uso tópico com comprovada eficácia para tratamento de calvície em mulheres e homens. Ele é o tratamento de primeira linha para calvície feminina.

Até poucos anos atrás, acreditava-se que o mecanismo de ação do minoxidil na calvície seria devido à dilatação dos vasos do couro cabeludo, levando à chegada de mais nutrientes aos folículos. Atualmente, sabemos que ele também aumenta a produção de fatores de crescimento dos folículos e tem um efeito anti-inflamatório, que também é importante para tratar a calvície. O resultado destas ações é um aumento da duração da fase de crescimento dos cabelos, que se encontra encurtada na calvície, estímulo da proliferação celular do folículo e redução da microinflamação.

Tanto o minoxidil a 2% quanto o a 5% são aprovados para uso em mulheres (apesar de as bulas ainda não terem sido atualizadas). Por ser precisar ser usado, em mulheres, apenas uma vez ao dia (mais prático), o minoxidil a 5% costuma ser mais utilizado.

Alguns efeitos colaterais do minoxidil tópico são aumento de pelos em locais indesejados, prurido e descamação. Estes dois últimos podem ser devido ao propilenoglicol ou ao próprio monoxidil.

Saiba mais sobre o minoxidil tópico clicando aqui.

 

Os shampoos antiqueda ajudam no tratamento da calvície?

Como qualquer shampoo, o benefício destes shampoos seria apenas manter o couro cabeludo limpo. Eles não contém o minoxidil, que é a única medicação de uso tópico, até o momento, comprovadamente eficaz para o tratamento da calvície, e, mesmo que o contivessem, não permitiriam o tempo de contato necessário para a medicação fazer efeito: de no mínimo 4 horas.

 

MINOXIDIL POR VIA ORAL

O minoxidil começou a ser usado por via oral no final da década de 70. Cerca de 10 anos depois, foi aprovado seu uso no couro cabeludo para tratamento de calvície. Nos últimos 2 anos, bons resultados do seu uso por via oral para queda de cabelo vêm sendo publicados. Apesar de ser usado em doses muito menores do que as usadas para pressão alta, podem ocorrer efeitos colaterais como aumento de pelos no rosto, tontura e inchaço. Por tudo isso, nunca se automedique seja com minoxidil ou outra medicação.

Saiba mais sobre minoxidil oral clicando aqui.

 

ANTIANDROGÊNICOS:

Em primeiro lugar, é importante dizer que nem toda mulher com calvície tem indicação de fazer uso de medicação antiandrogênica, justamente, porque, diferente dos homens, o preciso papel dos hormônios androgênicos ainda não está determinado na calvície feminina.

Então, a primeira medicação a ser utilizada na calvície feminina é o minoxidil. Já o uso de antiandrogênico para calvície feminina costuma ser indicado nas seguintes situações:

  1. Aumento de hormônio androgênico
  2. Sinais clínicos de aumento de ação dos hormônios androgênicos como acne, hirsutismo (excesso de pelos em locais em que as mulheres costumam ter poucos pelos; ex: face, mama, barriga…) –> ou seja, os níveis de andrógenos estão normais mas mesmo esta quantidade normal é suficiente para aumentar características “masculinas”
  3. Calvície severa

 

  • ESPIRONOLACTONA

A espironolactona é um diurético que pode beneficiar algumas mulheres com calvície, uma vez que diminui a produção de hormônios androgênicos e também diminui a ação destes hormônios nos seus receptores do couro cabeludo.

Dos antiandrogênicos, a espironolactona costuma ser o de primeira escolha para calvície feminina devido à maior experiência com seu uso em mulheres pra tratamento de acne, hirsutismo e síndrome de ovários policísticos.

O uso desta medicação pode levar ao surgimento de efeitos colaterais como dor de cabeça, dor no estômago, irregularidade menstrual, diminuição da libido e fadiga, malformação no feto entre outros. Por isso, nunca inicie o uso desta ou de outras medicações sem orientação médica especializada, e sempre está indicada a prevenção de gravidez com método anticoncepcional seguro durante o uso desta medicação.

 

  • FINASTERIDA

A finasterida age inibindo uma enzima chamada 5-α redutase  que é uma enzima que transforma testosterona em DHT, responsável pela miniaturização dos folículos.

A utilização da finasterida para calvície feminina é off label, ou seja, não indicada na bula, e sua eficácia na calvície feminina permanece controversa. Alguns dermatologistas não usam, outros a usam apenas em mulheres pós-menopausadas e outros a usam mesmo em mulheres em idade fértil.  Nestas, deve ser feita contracepção adequada, pois há risco de feminização do feto, caso a mulher engravide de um menino durante o uso da finasterida.

Uma indicação da finasterida seria para mulher com calvície e hiperandrogenismo. Para mulheres com níveis normais de hormônios androgênicos, ela costuma ficar reservada para casos mais graves ou que não respondem ao uso do minoxidil.

Lembrando que é sempre importante descartarmos as contraindicações como:

1)História pessoal ou familiar de câncer de mama ou de ovário. Esses cânceres são geralmente hormônio responsivos. Como a finasterida diminui a transformação de testosterona em DHT, esta testosterona que sobra pode ser convertida em estrógeno por uma enzima chamada aromatase. E, este aumento de estrógeno poderia aumentar o risco de cânceres de mama e ovário.

2) História pessoal ou familiar de depressão, pois a finasterida pode diminuir a produção dos chamados neuroesteroides cerebrais.

 

  • DUTASTERIDA

A dutasterida é do mesmo grupo de medicamento que a finasterida, ou seja, também inibe a enzima que trasnforma a testosterona em DHT, porém, enquanto a finasterida bloqueia 70% da enzima 5-alfa-redutase, a dutasterida bloqueia 90%, portanto, costuma ter ação superior à finasterida.

Evita-se o uso da dutasterida em mulheres em idade fértil pois, mesmo após 6 meses de suspender seu uso, pode ainda ser verificada concentração da medicação no sangue. Ou seja, a mulher só pode engravidar após 6 meses depois de parar de usar a dutasterida.

 

  • FLUTAMIDA

É um potente inibidor do receptor dos hormônios androgênicos mas seu uso está proibido devido a efeitos colaterais graves, inclusive morte por hepatite fulminante.

 

As vitaminas são úteis no tratamento da calvície?

Não. Não existe evidência científica de que a suplementação de vitaminas (nem a biotina) ferro ou outro suplemento alimentar seja útil no tratamento da calvície, a menos que haja deficiência deste nutriente.

Como vimos em artigos anteriores, a deficiência de biotina é rara e não costumamos dosá-la. Além disso, fazer uso  de vitaminas e sais minerais, sem dosagem prévia, pode provocar excesso e levar à queda de cabelo (ex: vitamina A, zinco e selênio).

Resumo de produtos  sem evidência científica de eficácia no tratamento da calvície:

  • Vitaminas  (inclusive biotina) –> OBS: se há deficiência comprovada com exame de sangue, esta deve ser tratada com a vitamina que estiver faltando
  • Suplementos à base de aminoácidos (cistina, cisteína, lisina), glicoproteína
  • Estradiol
  • Shampoos ditos antiqueda ou “engrossadores de fios”
  • Saw Palmetto
  • Análogos das prostaglandinas: latanoprosta,bimatoprosta
  • Adenosina
  • Melatonina
  • Ácido valpróico
  • Silício orgânico estabilizado em colágeno de peixe hidrolisado

 

Finasterida tópica: promessa para tratamento da calvície:

Um estudo de fase 3, randomizado, duplo cego e multicêntrico  da empresa suíca Polichem, comparando a eficácia e segurança da finasterida a 0,025% com um placebo e com a finasterida oral de 1mg, foi recentemente concluído, mas os resultados ainda não foram publicados ( NCT03004469).  O estudo foi feito em 459 homens entre 18 e 40 anos de 2016 a 2018 na Bélgica, Alemanha, Hungria, Rússia e Espanha.

Eu ainda não prescrevo a finasterida tópica, já que ainda não sabemos qual a concentração e veículo que garanta boa penetração do ativo no couro cabeludo com eficácia e segurança. Até o momento, então, a única medicação para calvície de uso tópico com veículos e concentrações padronizados e comprovadamente eficaz  é o minoxidil. Estou aguardando, com bastante expectativa, pelo resultados do estudo da Polichem. O lançamento do produto está previsto pela empresa para 2020.

Vale lembrar que,  mesmo com o uso tópico da finasterida não há garantia de não surgimento de efeitos colaterais, pois apesar de pequena, há absorção sistêmica da droga e redução da DHT no sangue.  Sendo assim, quem tem contraindicação para finasterida oral também não deve utilizá-la pela via tópica.

 

Anticoncepcional melhora ou piora a calvície?

Depende!

Os anticoncepcionais mais indicados para mulher com alopecia androgenética são aqueles que contêm progesterona antiandrogênica, ou seja, que podem diminuir a produção de hormônio “masculino”.

Quando isso não for possível, uma alternativa seria utilizar um anticoncepcional “neutro”: que não seja antiandrogênico mas que também não contenham progesterona androgênica.

A escolha do uso ou não do anticoncepcional e do seu tipo deve ser decida em conjunto com seu dermatologista e seu ginecologista. Sempre serão pesados riscos e benefícios e se deve evitar o uso de progesterona androgênica como o levonorgestrel, entre outras. 

Mesmo na forma de DIU (ex: Mirena), o levonorgestrel pode piorar a calvície, pois apesar de baixa, há uma absorção sistêmica que para quem tem calvície é significante.

Atualmente, estão disponíveis também algumas técnicas,  para ajudar no tratamento de pessoas que não alcançam uma boa melhora da calvície apenas com tratamento clínico ou que não podem usar tais medicações. Vejamos abaixo  alguma delas:

 

FOTOBIOESTIMULAÇÃO ATRAVÉS DA LOW LEVEL LIGHT THERAPY (FOTOBIOMODULAÇÃO)

Low Level Light Therapy

 

A fotobiomodulação ou fotobioestimulação consiste na aplicação de laser de baixa potência ou LED no couro cabeludo.

 

Fotobioestimulação para tratamento da calvície

 

Acredita-se que a luz seja absorvida por uma organela muito importante chamada mitocôndria e, a partir daí, poderia ocorrer:

  • Liberação de óxido nítrico promovendo uma dilatação dos vasos sanguíneos ao redor dos folículos pilosos com aumento da chegada de nutrientes
  • Aumento da produção de ATP (energia) e, consequentemente, da atividade celular:

– estimulando os folículos que estavam em repouso prolongado a reentrarem na fase de crescimento

-prolongando a fase de crescimento dos folículos

  • Diminuição de liberação de citocinas inflamatórias –> reduzindo a microinflamação da calvície

 

Fotobioestimulação no tratamento da calvície

 

Por isto, a fotobioestimulação pode ser usada como tratamento complementar da alopecia androgenética (calvície) em homens e mulheres. O tratamento pode ser feito em casa e os dispositivos diferem em relação a preço e frequência de uso, mas a eficácia é semelhante. ⠀

Boné com LED

 

                                                                   Capacete com LED e laser

 

Tiara com laser de baixa potência

O seu dermatologista irá lhe ajudar a escolher o tipo, se ele achar que este tratamento é indicado para o seu caso.

 

MESOTERAPIA OU INTRADERMOTERAPIA, MMP®

Utiliza-se um dispositivo com microagulhas que, ao perfurarem o couro cabeludo, estimulam a produção de substâncias chamadas fatores de crescimento. Além disso, as microagulhas criam canais que permitem o chamado “drug delivery”, que é a entrega de medicamentos diretamente no couro cabeludo. Estes medicamentos são escolhidos de forma individualizada a cada sessão do procedimento. As medicações geralmente utilizadas são minoxidil, finasterida e dutasterida.

Estas técnicas de drug delivery podem ser usadas então como tratamento complementar ao tratamento em domicílio.

Mesoterapia convencional x MMP

 

PLASMA RICO EM PLAQUETAS (PRP)

PRP

O PRP é um procedimento que se caracteriza pelas seguintes etapas:

  1. Coleta do sangue do paciente

2. Centrifugação do sangue para separar os seus componentes objetivando obter plaquetas

3. Injeção do concentrado de plaquetas na pele/couro cabeludo

Esta técnica tem sido usada em outros países para acelerar a cicatrização de feridas e também têm sido feitos estudos para tratamento de calvície.

As plaquetas contêm grânulos ricos em fatores de crescimento que poderiam estimular o crescimento do folículo piloso.

Porém, ainda não há evidência científica suficiente que comprove sua eficácia para tratamento da calvície, pois não foram feitos estudos duplo cegos randomizados controlados. Além disso, a técnica carece de uma padronização em relação a quantidade de plaquetas e intervalo de aplicação, e, são necessários estudos que avaliem o resultado da técnica a longo prazo.

Importante salientar que o Conselho Federal de Medicina (CFM)  não permite que médicos realizem o PRP nos consultórios no Brasil ou cobrem pelo serviço. Ele é considerado pelo CFM um procedimento experimental, só podendo ser utilizado em experimentação clínica dentro de protocolos de pesquisas previamente autorizadas.

Como posso saber se o tratamento está fazendo efeito?

O exame chamado tricoscopia, realizado pelo dermatologista, serve tanto para diagnóstico, quanto para acompanhamento da resposta ao tratamento, através da comparação das fotos em grande aumento do couro cabeludo. A primeira avaliação de tratamento geralmente é indicada após 6 meses do seu início, uma vez que o cabelo cresce devagarzinho (cerca de 1 cm por mês).

Uma segunda avaliação após 1 ano de tratamento também é indicada, pois após  12 meses é quando geralmente as medicações alcançam sua resposta máxima para a calvície. E, é justamente por isso, que, costumo pedir a alguns pacientes que planejam ser submetidos a um transplante capilar que aguardem 1 ano de tratamento para ver a resposta que terão ao tratamento clínico. Assim, mesmo que ainda tenham indicação de transplante, ao menos necessitaram de menos folículos da área doadora.

 

Estou fazendo o tratamento direitinho e mesmo assim minha calvície continua avançando. O que será que pode estar acontecendo?

Antes de afirmar que as medicações atuais estão realmente sendo insuficientes para retardar a progressão da calvície, deve-se excluir que exista algum fator, além da calvície, que está prejudicando a saúde dos cabelos ex:

  • eflúvio telógeno associado
  • Outras doenças do couro cabeludo associadas: dermatite seborreica severa,  alopecia areata, alopecias cicatriciais como líquen plano pilar, entre outras.

 

Será que um dia a calvície terá uma cura?

A cura da calvície poderá vir um dia através das células-tronco. Pesquisadores da empresa de cosméticos japonesa Shiseido começaram os estudos com células tronco para induzir o crescimento de cabelos em 2013 e estamos esperando ansiosamente por

Células tronco: promessa de cura para a calvície

 

O estresse pode piorar minha calvície?

O estresse não piora a calvície em si. Um estresse muito intenso, como perda de uma pessoa querida, separação, perda ou mudança brusca de emprego, pode causar um queda difusa e aumentada de cabelo chamada eflúvio telógeno agudo, que começa cerca de 3 meses após o evento e dura cerca de 6 meses. Durante estes meses, a pessoa vai apresentar uma maior queda de cabelo e maior rarefação de fios no couro cabeludo, mas cerca de 6 meses depois, os fios que caíram pelo eflúvio voltarão a crescer e na mesma espessura de antes.

 

Caspa (seborréia/ dermatite seborreica), pode piorar a calvície?

Sim. Atualmente, sabemos que, na calvície, há uma microinflamação, que está envolvida também no processo de miniaturizaçãodos folículos. A dermatite seborreica (popular caspa) contribuirá com mais inflamação, podendo piorar a calvície.

 

E o cigarro, pode piorar a calvície?

Sim, e o fumo pode acelerar a progressão da calvície por diversos mecanismos:

  • O cigarro  danifica a microvasculatura da papila dos folículos;
  • Genotoxicantes da fumaça causam danos ao DNA dos folículos;
  • Os efeitos pró-oxidantes do tabagismo levam à liberação de citocinas pró-inflamatórias, resultando em micro-inflamação folicular e fibrose;
  • Inibição da aromatase, enzima que converte hormônios androgênicos em estrógeno (hormônio feminino), levando a aumento da quantidade de andrógenos a nível dos folículos.

 

Como deve ser a dieta de quem tem calvície?

A saúde do cabelo reflete a saúde do nosso couro cabeludo e do nosso corpo em geral. Então, recomenda-se uma dieta balanceada com proteína (ovo, peixe, frango, carne vermelha), frutas, vegetais e oleaginosas (castanhas). Para os vegetarianos e veganos, é necessário ficar de olho especialmente no ferro e vitamina B12.

 

Como vimos, a calvície feminina é um assunto bastante complexo, inclusive por termos menos conhecimento sobre a participação da genética e hormônios androgênicos do que na calvície masculina. Há muito ainda por se descobrir e até seguimos reforçando a importância de ficarmos atentas aos primeiros sinais da calvície a fim de preservar os folículos.

 

Orientações importantes na escolha do profissional que tratará seu problema capilar:

  1. Certifique-se que o médico realmente é dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, única sociedade de dermatologista reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Acesse o site: http://www.sbd.org.br/associados/ e digite o nome do médico.
  2. Cuidado com falsas promessas como “cura da calvície”
  3. Evite tratamentos ditos “fora do convencional” –> tratamentos que não são realizados em nenhum hospital escola (hospital universitário como da USP, Unicamp, PUC, Unifesp e outros, por exemplo). Pense bem: se o tratamento é tão eficaz, por que os maiores centros de estudo do país não iriam realizá-lo? Abra o olho!
  4. Evite tratamentos com lavagens, “choquinhos”, massagens, carboxiterapia, uso de shampoos exclusivos de uma clínica, entre outros, pois não existe comprovação científica de que realmente funcionem para queda de cabelo.

 

Para saber sobre outras causas de queda de cabelo, clique aqui.

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Meus vídeos sobre calvície feminina:

 

 

 

 

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