Eflúvio telógeno crônico - Fabiana Caraciolo

Eflúvio telógeno crônico

Você já ouviu falar em eflúvio telógeno crônico?

Durante toda a nossa vida, nossos cabelos sofrem trocas periódicas (a cada 2 a 6 anos), ou seja, os fios caem e novos são produzidos. Costumamos dizer que é normal a queda de cerca de 100 fios por dia, já que cerca de 10% dos folículos pilosos estão em fase de queda fisiológica (troca).

Em algumas situações nas quais o organismo sofre algum tipo de estresse importante (estresse mental, cirurgia, infecções) ou distúrbio metabólico (distúrbios da tireóide, carências nutricionais), muitos cabelos que estavam em fase de crescimento passam rapidamente para a fase de queda ao mesmo tempo. O nosso corpo, diante de uma falta de nutriente, por exemplo, prioriza os órgãos vitais e não os anexos da pele, então os cabelos são os primeiros a sofrerem nestas condições. A fase de crescimento dos cabelos é então interrompida pois exige grande aporte de nutrientes. Uma vez superada a situação, os cabelos voltam a cair na quantidade normal em até 6 meses. Este quadro é o chamado de eflúvio telógeno agudo. Para saber mais sobre este tipo de queda aguda, clique aqui.

Quando a queda de cabelo excessiva persiste por mais de 6 meses, temos o chamado eflúvio telógeno crônico. Este tipo de queda de cabelo pode ser secundário a deficiências nutricionais, distúrbios hormonais, uso de algumas medicações, lupus eritematoso sistêmico, etc. Por isso, uma vez que se suspeite de um eflúvio telógeno, é muito importante uma investigação minuciosa através de exames de sangue.

Em muitos casos, porém, não conseguimos encontrar nenhuma causa aparente para o eflúvio. Nestes casos, estamos diante o eflúvio telógeno crônico primário, ou seja, de causa desconhecida.

Acredita-se que, no eflúvio telógeno crônico primário, haja um encurtamento da fase de crescimento dos cabelos, levando a uma troca de cabelos muito mais intensa que o normal.

A maioria dos pacientes acometidos por esta enfermidade são mulheres, entre 30 e 50 anos e se mostram bastante aflitas pela quantidade de cabelos que observam pela casa, pelo cabelo estar raleando nas laterais da testa ou pelo rabo de cavalo estar ficando mais fino.

O curso do eflúvio telógeno crônico primário costuma ser flutuante: os cabelos caindo sempre acima do normal, com picos de queda mais intensa no início do quadro e a cada 2 anos aproximadamente.

Diante de uma queda de cabelo difusa e persistente, é fundamental que seja feita uma avaliação dermatológica com dermatoscopia do couro cabeludo (tricoscopia) para fazer o diagnóstico diferencial da calvície (alopecia androgenética) e de outras causas de queda difusa como a alopecia areata, além de uma investigação laboratorial cuidadosa. Algumas vezes, é necessária também a biópsia de couro cabeludo para melhor elucidação do caso.

Porém, vale lembrar que, além do eflúvio, o paciente pode ter também uma calvície associada. Nestes casos, o diagnóstico da calvície, muitas vezes, só consegue ser dado meses depois que o eflúvio foi estabilizado.  Por isso é tão importante o acompanhamento do quadro com o dermatologista.

O eflúvio telógeno crônico primário geralmente se resolve espontaneamente em 3 a 4 anos, mas pode durar 10 anos ou mais. O seu tratamento é um grande desafio uma vez que a causa não é conhecida. Utiliza-se medicação que prolongue a fase de crescimento dos cabelos, já que os estudos sugerem que o encurtamento desta fase seja o mecanismo envolvido no neste eflúvio.

Para ler a respeito de outras causas de queda de cabelo, clique aqui.

 

 

 

 

 

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