Eflúvio telógeno crônico - Fabiana Caraciolo

Eflúvio telógeno crônico

 

O eflúvio telógeno crônico se caracteriza por uma troca excessiva de cabelo, em todo couro cabeludo, que persiste por mais de 6 meses.  Este tipo de queda de cabelo pode ser secundário a deficiências nutricionais, distúrbios hormonais, uso de algumas medicações, lupus eritematoso sistêmico, entre outros fatores, que não já começaram há mais de 6 meses e não foram tratados. Por isso, uma vez que se suspeite de um eflúvio telógeno, é importante uma investigação através de exames de sangue.

Em muitos casos, porém, não conseguimos encontrar nenhuma causa aparente nos exames. Nestes casos, estamos diante o eflúvio telógeno crônico primário ou idiopático, ou seja, de causa desconhecida.

 

Por que ocorre o eflúvio telógeno crônico?

No eflúvio telógeno crônico primário, há uma mudança do ciclo do cabelo, no qual a fase de crescimento do cabelo é encurtada, trocando o fio de cabelo com mais frequência. Ao invés de o fio crescer 4, 5 anos antes de cair, ele passa a cair com cerca de 1 ano.

Ciclo capilar encurtado no eflúvio telógeno crônico

Então o fio cresce um pouco e já cai, cresce um pouco e já cai, cresce um pouco e cai;  não conseguindo mais alcançar o comprimento original.

 

Como o eflúvio telógeno crônica se apresenta?

A maioria dos pacientes acometidos por esta condição são mulheres, entre 30 e 50 anos.

A história do eflúvio telógeno crônico geralmente é a de uma mulher que tinha um bom crescimento de cabelo, e a partir de determinado momento, passa a perceber uma maior quantidade de fios caindo por dia.

Essa troca aumentada de cabelo pode ser constante, ou seja, o cabelo está sempre caindo muito, mas tem períodos em que cai ainda mais ou pode ser intermitente, na qual a paciente passa por períodos de queda aumentada e períodos de queda normal.

A mulher também costuma perceber que o volume do cabelo da orelha para baixo reduziu bastante, ficando com o cabelo cada vez mais minguado a partir daquela altura e, assim, o cabelo vai perdendo a forma.

Mesmo quando são só episódios de queda aumentada, o cabelo não consegue recuperar o volume no seu comprimento, porque, quando ele está começando a se recuperar, já vem outro episódio de troca de fios.

É comum também o relato de que as tranças e o rabo de cavalo diminuirão muito: ela costumava dar duas voltas no elástico e agora tem que dar 4, por exemplo

É frequente também as pacientes perceberem uma menor densidade capilar nas “entradas”, e, às vezes, também a linha da frente do cabelo fica mais rala, mas, o topo da cabeça costuma continuar com muito cabelo, se a paciente não tiver calvície associada.

 

Rarefação nas entradas pelo eflúvio telógeno crônico

 

Risca do cabelo no eflúvio telógeno crônico isolado.

O topo do cabelo não fica mais visível, pois, quando um fio cai, já existe um fiozinho novo sendo produzido no mesmo folículo. Quando estes fiozinho vão crescendo, começam a ser percebidos vários fios curtos espetadinhos no topo da cabeça, como na foto abaixo:

Vário fios novos no topo da cabeça no eflúvio crônico

 

Quanto tempo dura o eflúvio telógeno crônico? Tem cura?

Há relatos de melhora espontânea de eflúvio telógeno crônico primário  após 3 a 4 anos, mas há também casos em que ele dura 10 anos ou mais. Ou seja, sua duração é imprevisível.

E, como a causa desconhecida, o que nós procuramos regular é o seu mecanismo, que é o encurtamento da fase de crescimento do cabelo. Então nós utilizamos a medicação que tem mais evidência em aumentar esta fase de crescimento, que é o minoxidil.

O tratamento não tem, então, um prazo para acabar. Geralmente, orientamos que a paciente mantenha o tratamento por no mínimo dois anos, se a paciente não quiser seguir tratando. Neste caso, vamos desmamando a medicação lentamente para evitar um eflúvio de parada do minoxidil, mas, mesmo assim, pode haver uma queda importante, após parar a medicação, porque vários fios que estavam sendo mantidos em fase de crescimento pelo minoxidil, passam  juntos para fase de queda.

Ou seja, o ideal é usar o medicamento continuamente, exceto quando contraindicado, como na tentativa de gravidez, durante a gravidez e outras situações de contraindicação.

 

Procedimentos como microagulhamento, mesoterapia e MMP são indicados para eflúvio telógeno crônico?

Não costumamos indicar estes procedimentos para o eflúvio telógeno crônico (ETC) pelos seguintes motivos:

  1. O tratamento em casa é o que é importante.
  2. Se o paciente, além do tratamento em casa, quisesse ser submetido à injeção de minoxidil no couro cabeludo, teria que fazer isso todos os meses, o que pode ser doloroso, caro e poderia deixar o couro cabeludo endurecido pelo estímulo frequente de produção de colágeno com o agulhamento.
  3. Não há trabalhos científicos ainda que indiquem que o microagulhamento seja efetivo para eflúvio telógeno crônico.
  4. Alguns pacientes apresentam, após sessão de microagulhamento, mesoterapia ou MMP, episódio de eflúvio.

 

Se não tem cura, por que valeria a pena tratar o eflúvio telógeno crônico?

Com o tratamento, buscamos uma redução da quantidade de cabelo que cai diariamente. A diminuição da queda costuma a ser vista a partir do quarto mês de tratamento.

Buscamos também diminuir o número de novos episódios de aumento de queda, mas não segura novos episódios em 100% dos casos. Além disso, não podemos impede que gatilhos desencadeiem eflúvios agudos, como por exemplo, uma infecção, uma cirurgia, uma perda de peso. Estes episódios irão desestabilizar o controle da queda.

Outro objetivo do tratamento é ajudar no aumento do comprimento do cabelo, melhorando o volume do cabelo, mas não necessariamente o cabelo vai conseguir alcançar o comprimento que conseguia antigamente. Pode melhorar até certo comprimento e ser necessária adaptação àquele novo comprimento aderindo a um corte um pouco mais curto do cabelo que o habitual, para não ficar com uma ponta minguada.

Outra coisa importante de lembrar é que o cabelo cresce apenas 1 cm por mês, então, para que um cabelinho novo chegue na altura do ombro, demora cerca de 2 anos.

 

Ou seja, tratamento de cabelo exige muita paciência para aguardá-lo atravessar sua fase de queda e depois ir crescendo devagarzinho.

Aumento da queda no início do tratamento é normal?

Sim, pode acontecer, pois um mecanismo de ação do minoxidil é pegar folículos que estão fase telógena (preparação para queda) e colocá-los para trocar logo o fio, começando assim um novo ciclo.

O paciente com eflúvio telógeno crônico tem muitos folículos em fase telógena, consequentemente, o minoxidil vai ter muitos folículos para colocar para trocar fio. Então, a princípio, a queda vai piorar, para, no longo prazo, melhorar.

 

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