Eflúvio telógeno agudo - Fabiana Caraciolo

Eflúvio telógeno agudo

Como vimos, no post sobre ciclo capilar, os cabelos são produzidos pelos folículos pilosos, que são estruturas que apresenta uma atividade cíclica, ou seja, mudam de uma fase para outra ao longo da vida.

 

 

Os folículos vão então da fase de crescimento (anágena) para a fase de regressão (catágena); em seguida, ficam alguns meses se preparando para soltar o fio (telógena), e, por fim, há a liberação do fio (fase exógena), ao mesmo tempo em que outro fio já começa a ser produzido.

Em determinada situações, o ciclo capilar é desregulado e mais de 20% dos folículos do couro cabeludo passam para a fase telógena. O número de fios de cabelo que são trocados por dia aumenta bastante e isso caracteriza o eflúvio telógeno agudo.

Nós costumamos ouvir que é normal caírem de 100 a 150 cabelos por dia, mas é importante saber que isso é uma média. O número de cabelos que trocam por dia varia de uma pessoa para outra.

Dessa forma, mesmo que alguém perceba uma queda de cabelo menor que 100 fios por dia, esta queda é significante, se está acima do que o que o cabelo daquela pessoa costumava cair.

Então, por exemplo, se uma pessoa que costumava trocar 40 fios por dia passa a trocar 70 fios, está abaixo de 100 fios, mas, para aquela pessoa, não é normal.

Essa queda muito aumentada de cabelo do eflúvio telógeno agudo gera bastante impacto psicológico, porém, não deve ser vista como uma perda de cabelo. É apenas uma troca, pois já existe um fiozinho novo se desenvolvendo naqueles folículos que estão liberando os fios.

Além disso, no eflúvio, não há miniaturização ou perda de folículos, o fio que cai grosso, volta grosso. Por isso, por mais que assuste, o eflúvio telógeno agudo não deixa a pessoa careca.

Por outro lado, nós não podemos ignorar essa troca aumentada de cabelo, pois ela é um sinal de alerta que o nosso corpo nos dá dizendo que algo mudou no nosso organismo. Pode ser algo que aconteceu e já foi resolvido, mas pode ser também um problema que ainda existe e precisa ser tratado.

 

Na maioria das vezes, a troca de cabelo intensa que está acontecendo agora é resultado de algo que ocorreu cerca de 3 meses antes.  E por que isso acontece?

Duração das fases do ciclo capilar

 

O que acontece é que o cabelo vinha crescendo, quando, de repente, algum gatilho fez o folículo passar prematuramente para as fases seguintes: catágena e telógena. E, como nós vimos no vídeo de ciclo capilar, na fase telógena, os folículos retêm os fios de cabelo por cerca de 3 meses antes de soltá-los.

Então, na maioria dos casos, só cerca de 3 meses depois do gatilho é que a queda aumentada começa

Por isso, nós dermatologista, quando estamos fazendo a anamnese com o paciente, perguntamos, entre outras coisas, quais as mudanças, quais os acontecimentos na vida do paciente 3 meses antes do início daquela queda intensa de cabelo.

 

 

Na maioria dos casos, a queda de cabelo só costuma começar a ser notada cerca de 2 a 4 meses após o gatilho que a provocou.

 

Como o eflúvio é percebido?

A paciente observa que seu cabelo está caindo muito mais do que o de costume. Percebe mais fios no ralo do banheiro, na escova, no travesseiro ao acordar.

“Entrada” do eflúvio telógeno agudo

 

Além da queda de cabelo aumentada, algumas pacientes começam a notar uma menor quantidade de cabelo na região bitemporal do couro cabeludo porque já é a região de couro cabeludo com menos fios, então, com a troca maior de cabelo, é o local em que esses fios começam a fazer mais falta.

Quando o eflúvio é muito intenso de forma que 50% dos fios ou mais estejam trocando, a paciente pode perceber uma diminuição de volume do cabelo.

Se a paciente já tinha uma calvície e não sabia, a área de calvície começará a ficar aparente quando acontece o eflúvio.

 

O que pode causar um eflúvio telógeno agudo?

Existem inúmeros gatilhos que podem fazer o nosso organismo colocar o cabelo para cair mais. E, nem sempre, a causa do eflúvio telógeno agudo é uma doença. Há também causas fisiológicas como o pós-parto, por exemplo.

Agora, dentre as principais causas de eflúvio telógeno agudo, estão situações nas quais nosso organismo entende que precisa economizar energia e nutrientes.

 

Órgãos Vitais

O nosso organismo prioriza os órgãos vitais e cabelo não é considerado essencial pelo nosso corpo. Além disso, produzir cabelo gasta muita energia.

Então, quando o nosso organismo entende que precisa economizar energia para cuidar de algo mais importante, ele envia um sinal para que muitos folículos interrompam a produção de cabelo.

Vários folículos vão então passar, prematuramente, para as fases de regressão e em seguida para fase de repouso, que é a fase telógena, na qual o consumo de energia é mínimo.

Então, o nosso organismo usa a fase telógena, que ele já está acostumado a fazer, para economizar energia.

 

 

Exemplos de situações que levam nosso organismo a passar prematuramente vários folículos para fase de repouso e depois queda:

 

 

Infecções bacterianas ou virais como a dengue, covid, etc.

Cirurgias

Alterações hormonais como hipo ou hipertireoidismo

Anemia

Carências nutricionais

Perda rápida de peso

Dietas restritivas

Doenças sistêmicas como o lupus

Estresse emocional muito intenso (não é o estresse do dia a dia)

 

Todas estas situações podem fazer o nosso corpo enviar o sinal para muitos folículos pararem a produção de cabelo e, como vimos, no vídeo de ciclo folicular, é só depois de cerca de 3 meses que os folículos irão soltam os fios.

Então, cerca de 3 meses após uma infecção ou após uma cirurgia ou após perda de peso ou estresse muito intenso, é que a troca aumentada de cabelo costuma começar a acontecer.

 

Existe tratamento para eflúvio telógeno agudo?

Depende da causa. O eflúvio telógeno agudo é um processo temporário que geralmente dura de 3 a 6 meses e o tratamento é feito quando se identifica uma causa tratável.

Ou seja, o tratamento é para causa do eflúvio e não para o eflúvio agudo em si.

Imaginem, por exemplo, uma pessoa que está passando por eflúvio telógeno agudo agora decorrente de uma virose que ela teve há cerca de 3 meses atrás. O gatilho que causou a queda de cabelo foi há três meses e já cessou. E, como eu falei anteriormente, o tratamento é para a causa do eflúvio.  Como eu vou tratar uma coisa que não existe mais, que foi a virose? Não tem como. A causa já foi resolvida, e agora o que devemos fazer é esperar o organismo se estabilizar, ter paciência que o eflúvio irá cessar em torno de 3 a 6 meses.

A mesma coisa em relação a uma cirurgia ou uma perda de peso. É possível tratar uma cirurgia ou uma perda de peso? Não. Estas coisas já passaram, já foram resolvidas e agora é ter calma e esperar o eflúvio passar.

Adianta tomar uma “vitamina dita antiqueda” nestes casos?  Não, porque a causa não foi falta de vitamina; foi uma virose ou cirurgia ou um estresse intenso, que já foi resolvido e não existe mais. Agora é dar tempo ao tempo e não desperdiçar o dinheiro com coisas desnecessárias.

 

– Ah, mas eu tomei tal vitamina antiqueda por 3 meses e minha queda de cabelo melhorou.

Sim! Ela melhorou porque o eflúvio telógeno agudo é autolimitado e, na maioria das vezes, dura cerca de 3 meses.

 

Agora, se a causa do eflúvio é um problema que ainda existe, como, por exemplo, uma anemia, um hipotireoidismo, uma carência nutricional, então essas condições deverão ser tratadas. Não se deve, portanto, tratar eflúvio às cegas com um polivitamínico dito antiqueda, por exemplo. É feita uma investigação com dosagem dos hormônios da tireoide (e de outros hormônios, quando necessário), vitaminas, minerais e será corrigido apenas o que estiver alterado. E uma vez que a causa do eflúvio tenha sido corrigida, cerca de 3 a 6 meses depois, ele cessará.

Veja abaixo um vídeo em que falo mais sobre eflúvio telógeno agudo:

 

 

Quando a troca aumentada de cabelo sem afinamento dura mais de 6 meses, chama-se eflúvio telógeno crônico. Para ler sobre ele, clique aqui.

 

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7 Comentários

  1. Agnalva de Sá Teles Dantas disse:

    Boa tarde. Tenho Alopercia Areata. E bem na fronte, e dos lados perto das orelhas. Já fiz tratamentos que não deram resultados. Ultimamente estou percebendo que estão aumentando as falha, principalmente na fronte. Está do tamanho de uma moeda de um real. Vocês tratam desse tipo de caso?

  2. Geysa disse:

    Conteúdo completíssimoo!!!
    Me ajudou demais!

  3. Suellen disse:

    Olá! Sempre tive queda de cabelo no início do outono, que ia melhorando aos poucos. Em março deste ano parei o anticoncepcional e a queda que parava agora só aumenta. Estou desesperada. Dá pra ver o couro cabeludo, tá horrível. Marquei ginecologista, se ela disser que é do anticoncepcional, vou voltar a tomar, pq não aguento mais esta situação.
    Semana passada fui na dermato, ela pediu exames e a ferritina, Vit D e zinco também estão no limite, quase deficiente.

  4. Tomei a injeção anticoncepcional que dura tres meses além da menstruação não dessa por um longo período o meu cabelo não parava de cair se eu começa a tomar de novo o meu cabelo vai voltar a cair ou não?

    • Dra. Fabiana Caraciolo Tricologista disse:

      Olá, Rosiane! Queda de cabelo pode ser causada por diversos fatores e doenças, por isso é importante passar em consulta com dermatologista para avaliação de sua história de saúde e realização da tricoscopia para que você tenha um diagnóstico e orientação.

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