Queda de cabelo por quimioterapia - Fabiana Caraciolo

Queda de cabelo por quimioterapia

Os quimioterápicos atacam células do nosso corpo que se dividem muito rápido, incluindo as células da matriz dos folículos do couro cabeludo, e isto, muito frequentemente,  leva à queda de cabelo.

O quimioterápico interrompe a divisão das células da matriz do folículo, de forma que o ciclo do cabelo é interrompido e o fio cai ainda na fase de crescimento (anágena).

Como 80 a 90% dos nossos cabelos estão em fase de crescimento e o quimioterápico pega justamente estes folículos que estão em fase bem ativa, há uma queda importante de cabelo. Pode haver também queda de pelos das sobrancelhas, cílios e de pelos corporais.

Além disso, o folículo passa a produzir um fio defeituoso e frágil que se quebra facilmente.

A queda de cabelo costuma começar após 2 a 3 semanas do início do uso do quimioterápico, mas será mais ou menos severa de acordo com o tipo de quimioterápico, via de administração, dose, frequência das sessões, entre outros fatores.

 

Quais quimioterápicos costumam estar mais associados à queda de cabelo?

Ciclofosfamida por via endovenosa, doxorrubicina, epirrubicina, docetaxel e etoposide.

 

O cabelo que cai pela quimioterapia costuma voltar?

Sim. Como o efeito dos quimioterápicos ocorre sobre as células do bulbo do folículo e não na área das células tronco foliculares, a alopecia por quimioterapia é, na maioria das vezes, reversível.

Os folículos voltam a “ciclar” normalmente após poucas semanas do término do tratamento e o crescimento de cabelo torna-se visível em torno de 3 a 6 meses.

 

Por que o cabelo pode voltar diferente após a quimioterapia?

 

Cerca de 65% dos pacientes experimentam alteração da cor ou textura do cabelo após tratamento quimioterápico.

A região do folículo piloso que controla a cor, espessura e a simetria da fibra capilar é a matriz, que é justamente a área afetada pela quimioterapia. As medicações interferem, então, nos melanócitos e queratinócitos dessa região.

Após a agressão pela quimioterapia ser cessada, as células dos folículos começam a se recuperar, e demoram alguns meses para que as células da matriz folicular voltem a funcionar apropriadamente.

Então, logo após o tratamento, os queratinócitos e melanócitos estão ainda em fase de recuperação, e o folículo acaba produzindo um fio com cor, espessura e forma diferentes do cabelo original. Mas, em até um ano, os folículos geralmente voltam a produzir fios como os de antes do tratamento.

 

Existe alopecia permanente por quimioterapia?

Sim, não é comum, mas pode ocorrer alopecia permanente por quimioterapia.

Os quimioterápicos podem induzir alopecia persistente ou até permanente por redução do estoque de células-tronco dos folículos, células estas que são necessárias para a regeneração do folículo piloso.

As medicações quimioterápicas mais frequentemente associadas com alopecia permanente são: paclitaxel, docetaxel, ciclofosfamida endovenosa em altas doses, bussulfano e thiotepa.

Costuma-se considerar alopecia permanente por quimioterapia quando o paciente não recupera a sua densidade capilar após 6 meses do término do tratamento. Esta alopecia é geralmente em padrão difuso com fios finos que lembram os fios miniaturizados da alopecia androgenética.

O docetaxel é utilizado, por exemplo, no câncer de mama, e, juntamente com ele, em alguns casos de tumor do tipo hormônio-dependente, é utilizada”terapia hormonal”. O anastrozol , que é uma das medicações utilizadas como terapia hormonal contra o câncer de mama, é um antiestrogênio. Outra droga bastante utilizada é o tamoxifeno, que é um inibidor da aromatase. A aromatase é uma enzima que converte testosterona em estrógeno. E, tanto o anastrozol quanto o tamoxifeno podem causar um afinamento dos cabelos, contribuindo com a quimioterapia para redução da densidade capilar

Além disso, em casos de metástase para o cérebro, a paciente pode ser submetida à radioterapia e/ou radiocirurgia, elevando ainda mais o risco de alopecia permanente.

 

É possível prevenir a alopecia por quimioterapia?

Sim, mas não em 100% dos casos e não há, até o momento, como predizer quem irá com certeza responder.

Pode-se utilizar a técnica de resfriamento do couro cabeludo (scalp cooling) para tentar reduzir o efeito da quimioterapia sobre as células foliculares, prevenindo ou pelo menos reduzindo a perda de cabelo.

 

 

O  resfriamento provoca uma contração dos vasos sanguíneos no couro cabeludo, diminuindo assim a chegada do quimioterápico aos folículos pilosos.  Acredita-se também que, com a chegada de menos sangue aos folículos pilosos, a atividade metabólica dos folículos seja diminuída, tornando-os menos sensíveis aos quimioterápicos.

Em estudo publicado na conceituada revista científica  Journal of the American Medical Association (JAMA), em 2017, os pesquisadores evidenciaram que cerca de 66,3%% das mulheres com câncer de mama do estudo conseguiram ter uma preservação do cabelo a ponto de não ser necessário o uso de prótese capilar.

Importante salientar que a taxa de sucesso do resfriamento além de variar de pessoa para pessoa, depende também do tipo de quimioterápico usado e do sistema de resfriamento. No estudo anteriormente citado, o sistema de resfriamento utilizado foi o Paxman.

Para saber mais sobre resfriamento do couro cabeludo, clique aqui.

Minoxidil não previne a queda de cabelo por quimioterapia.

 

Existe tratamento para a alopecia permanente por quimioterapia?

O uso de minoxidil pode ajudar em alguns casos, mas, infelizmente, a resposta é limitada.

 

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