Alopecia fibrosante frontal - Fabiana Caraciolo

Alopecia fibrosante frontal

 Alopecia fibrosante frontal é uma doença inflamatória crônica que causa perda permanente de pelos (alopecia cicatricial). Por isso, seu diagnóstico e tratamento precoces  são tão importantes.
EPIDEMIOLOGIA

É considerada uma doença relativamente nova, pois foi seu primeiro caso foi descrito em 1994.

A doença permaneceu rara na década de 90, porém, nos últimos 10 anos, tornou-se um fenômeno crescente em todo mundo.

Ela afeta principalmente mulheres brancas após a menopausa, porém, cada vez são mais frequentes os casos em mulheres mais jovens e em homens.

 

CAUSA

A causa da alopecia fibrosante frontal ainda não está esclarecida, mas parecem estar envolvidos fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais.

Têm sido relatados vários casos de alopecia fibrosante frontal em 2 ou mais integrantes de uma mesma família, indicando uma possível contribuição genética para a origem da doença.

Fatores hormonais também devem ter  alguma importância, mas, não parecem explicar sozinhos toda a doença.

A alopecia fibrosante frontal é considerada uma doença autoimune, pois células de defesa do próprio organismo atacam a porção do folículo onde estão as células tronco, causando uma inflamação, que, se não é detida, acaba destruindo o folículo piloso. O folículo é então substituído por uma área de fibrose (cicatriz) e novo pelo não consegue voltar a ser fabricando.

Ataque autoimune ao folículo piloso

 

A subida assustadora na incidência da fibrosante frontal, na última década, sugere que um fator ambiental possa estar desencadeando esta resposta imune anormal numa pessoa geneticamente predisposta.

Não se sabe, porém, até o momento, qual é este fator, mas, supõe-se que seja algo que as pessoas começaram a se expor em torno dos anos 80, e cuja exposição a este fator aumentou bastante nos últimos 10 a 15 anos. Nestes critérios, encaixam-se, por exemplo, os protetores solares, inclusive porque estes são aplicados nas sobrancelhas e na orla dos cabelos, locais mais frequentemente afetados pela fibrosante frontal.

Porém, na nossa prática clínica e em estudos de casos da doença, um número considerável de pacientes nunca usou protetor solar, indicando que o protetor solar pode não ser o desencadeante da doença ou que pelo menos não é o único.  Novos estudos continuam em andamento, em vários países, inclusive no Brasil, para tentar elucidar melhor esta questão.

 

APRESENTAÇÃO CLÍNICA:

A alopecia fibrosante frontal se caracteriza, principalmente, por uma perda de cabelo progressiva e permanente, em faixa, geralmente, na linha anterior dos cabelos. Com o tempo, o paciente começa a ter a sensação de que a testa está aumentando, mas, na verdade, os cabelos é que estão diminuindo.

As sobrancelhas são afetadas em grande parte dos pacientes com alopecia fibrosante frontal e podem ser o primeiro sinal da doença.

Alopecia fibrosante frontal afetando a região da testa e sobrancelha

 

É cada vez mais frequente também o acometimento do couro cabeludo atrás das orelhas e na região da nuca.

Alopecia fibrosante frontal afetando região atrás da orelha

 

Alopecia fibrosante frontal afetando região da nuca

 

A alopecia fibrosante frontal é uma doença generalizada da pele, podendo então afetar qualquer pelo do corpo. Em grande número de pessoas, há perda de pelos das sobrancelhas, que inclusive pode ser o primeiro sinal da doença. Pelos das axilas e região pubiana também são alguns dos mais frequentemente afetados.

Alopecia fibrosante frontal causando perda dos pelos da orla anterior dos cabelos, sobrancelhas, costeletas, e barba

 

Alopecia fibrosante frontal afetando pelos das coxas

Sensação de coceira, dor ou queimação no couro cabeludo são comumente referidas pelos pacientes e, quando presentes, costumam levar  à procura de ajuda dermatológica mais precocemente.

Além dos folículos pilosos, outras áreas da pele podem estar alteradas na alopecia fibrosante frontal. Alguns pacientes, por exemplo, com a evolução da doença, passam a exibir veias da testa mais proeminentes devido ao afinamento da pele causado pela doença.

Veias mais proeminentes devido à alopecia fibrosante frontal

 

Outra manifestação da doença são “bolinhas” da cor da pele no rosto dando a sensação de pele áspera.

Pápulas faciais da alopecia fibrosante frontal

 

Um achado menos frequente mas que também deve ser um sinal de alerta para investigar alopecia fibrosante frontal é o surgimento de manchas escuras no rosto, pescoço ou dobras. Estas manchas podem ser confundidas com melasma, mas não melhoram com clareadores.

Líquen plano pigmentoso associado à alopecia fibrosante frontal

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da alopecia fibrosante frontal é feito através do exame clínico dermatológico, dermatoscopia das áreas afetadas, biópsia e exame anatomopatológico.

Biópsia de couro cabeludo

 

PACIENTE COM ALOPECIA FIBROSANTE FRONTAL PODE FAZER PROCEDIMENTOS CAPILARES OU ESTÉTICOS?

 

Creme de pentear, géis, fixadores, tintura e alisamentos:

No geral, orientamos aos pacientes com alopecia fibrosante frontal a evitarem o uso de produtos que já observaram que lhes causam vermelhidão ou coceira no couro cabeludo ou pele. Tinturas e alisamentos podem ser ou não liberados, dependendo do tipo de apresentação clínica da doença e da severidade da inflamação. O seu dermatologista, irá então informá-lo, se, no seu caso, você poderá fazer estes tipos de técnicas. “Escovas progressivas” não devem ser utilizadas (assim como não são indicadas para a população geral), pois possuem em sua fórmula liberadores de formol como o ácido glioxílico.

 

Toxina botulínica (ex:Botox):

O uso costuma ser liberado, mas também seu dermatologista é que dará a orientação final.

 

Preenchimentos:

Como se caracterizam pela injeção de substâncias dentro da pele, os preenchimentos devem ser evitados em pacientes com alopecia fibrosante frontal, pois por se tratar de uma doença autoimune, há mais chance de reação inflamatória.

 

Laser:

Deve ser evitado o uso de laser em paciente com alopecia fibrosante frontal, uma vez que poderá funcionar como uma agressão numa doença que acreditamos que seja generalizada na pele, com tendência à reação inflamatória.

 

TRATAMENTO DA ALOPECIA FIBROSANTE FRONTAL

Até o momento, não existe um tratamento definitivo para este tipo de alopecia. Os tratamentos  atualmente disponíveis têm por objetivo frear a progressão da doença e aliviar os sintomas do paciente.

No esquema de tratamento da alopecia fibrosante frontal costumamos utilizar a finasterida ou dutasterida, que são medicações antiandrogênicas, buscando interferir no fator hormonal.  Além disso, são utilizadas medicações com ação anti-inflamatória de uso tópico (corticoides, tacrolimus) e/ou oral como a hidroxicloroquina e a doxiciclina. Todas estas medicações necessitam de orientações especiais, não devendo, portanto, serem usadas sem prescrição dermatológica.

O transplante capilar geralmente não é indicado a não ser em determinados casos nos quais a doença está sem atividade há pelo menos dois anos. E, mesmo nestes casos, há risco de perda dos cabelos transplantados.

Como podemos ver, a alopecia fibrosante frontal é uma doença a cada dia mais frequente, precisa ser diagnosticada e tratada precocemente para que mais cabelos não sejam perdidos permanentemente. Devemos ficar de olho nos sinais de alerta para a doença como testa subindo, coceira dor, ardor ou vermelhidão no couro cabeludo, sobrancelha ficando falhada, coloração escura no rosto, “carocinhos” deixando a pele do rosto áspera, perda de pelos no corpo.

Para se informar sobre outras causas de queda de cabelo, clique aqui.

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Vídeo educativo da Dra. Aline Donati sobre a alopecia fibrosante frontal

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