
Fotobioestimulação para tratamento da calvície

Laser e LED para tratamento da calvície


Hairmax Lasercomb

Capacete Igrow
Um outro fator importante para analisar a eficácia destes dispositivos é que alguns estudos mostram melhoras numéricas estatisticamente significativas na densidade e na espessura dos fios, mas relatam que não houve uma melhora correspondente na satisfação do paciente.

De acordo com o trabalho de Yoon e colaboradores (2020), por exemplo, embora o uso de capacete com laser e LED tenha aumentado o número de fios e a espessura, a percepção subjetiva de melhora pelos participantes não acompanhou esses dados objetivos. Resultados semelhantes foram documentados por Kim (2013) e Fan (2018), e reforçados por Shapiro (2024), que questiona a “eficácia clinicamente relevante” desses aparelhos, já que o crescimento de alguns fios a mais por centímetro quadrado nem sempre é visível a olho nu ou satisfatório para quem sofre com a calvície.
A decisão de associar um dispositivo de laser ou LED ao uso do minoxidil tópico também é um tema de debate intenso. A ideia teórica é que a luz poderia aumentar a circulação local e a absorção do medicamento, mas a prática mostra resultados mistos. Uma revisão de Kaiser e colaboradores (2023) analisou diversos ensaios clínicos e notou que, embora a combinação possa trazer benefícios superiores no início do tratamento, essa vantagem tende a desaparecer após seis meses, quando os resultados se tornam equivalentes ao uso isolado de cada terapia.

Boné de LED
Um estudo brasileiro de Ferrara, Donati e colaboradores (2021) avaliou se a luz traria benefícios extras ao tratamento da calvície. Os pesquisadores usaram um modelo em que todos os participantes aplicaram minoxidil 5% em todo o couro cabeludo e utilizaram um capacete de LED na cabeça inteira. A diferença é que o aparelho foi modificado para emitir luz apenas no lado esquerdo, enquanto o lado direito recebeu somente o minoxidil. Assim, cada pessoa serviu como seu próprio controle. Durante seis meses, os homens usaram o capacete por 12 minutos, duas vezes ao dia, e os resultados foram avaliados com fotos e um sistema que conta os fios de cabelo.
Ao final do estudo, observou-se um aumento da densidade capilar em ambos os lados da cabeça. No entanto, não houve diferença significativa entre o lado tratado com luz e minoxidil e o que utilizou apenas minoxidil. O estudo reforça que, embora a tecnologia seja segura, seu benefício como complemento ao tratamento ainda não é garantido para todos.
Segundo o consenso de especialistas liderado por Maghfour (2025), os protocolos de fotobiomodulação são muito diferentes entre si nos estudos publicados, o que dificulta a definição de uma “dose ideal”. Parâmetros como comprimento de onda e tempo de exposição variam amplamente entre os fabricantes.
Além disso, Shapiro (2024) destaca que a maioria dos participantes dos estudos são homens brancos, o que gera uma lacuna sobre a eficácia da tecnologia em outros tons de pele e etnias. Outra limitação importante é a escassez de pesquisas sobre a manutenção dos resultados a longo prazo: ainda não se sabe por quanto tempo os benefícios se mantêm após o período inicial de uso.
Assim, embora a ciência confirme que a fotobiomodulação é segura e possa atuar como tratamento coadjuvante, seus resultados podem variar muito e ela deve ser vista como um possível complemento aos tratamentos já consagrados, como minoxidil, finasterida e dutasterida.

A maioria dos primeiros estudos clínicos de fotobiomodulação foram feitos com aparelhos que utilizam laser e os resultados mais consistentes de aumento da densidade e do crescimento capilar na literatura científica também estão fortemente associados ao uso do laser.
O laser produz uma luz mais “direcionada” e concentrada, o que, em teoria, permite que ela chegue de forma mais eficiente até o folículo capilar. Já o LED emite uma luz mais espalhada, menos focada, o que pode reduzir sua capacidade de estimular o crescimento dos fios.
A evidência científica atual indica que dispositivos que utilizam apenas LEDs, como alguns bonés ou capacetes mais baratos, podem não oferecer os resultados desejados. A eficácia dessa tecnologia isolada ainda é incerta e não tem a mesma comprovação científica que os aparelhos com laser.

Enquanto existem dezenas de estudos validando o laser, os estudos com LED isolado são raros e, em estudos importantes como o de Donati, não mostraram a eficácia não mostraram eficácia adicional ao tratamento com minoxidil.

Optar por dispositivos exclusivamente de LED pode acabar gerando frustração, já que os resultados podem ser limitados ou inexistentes. Isso ocorre porque o sucesso da terapia depende de parâmetros técnicos bem definidos — como o tipo de luz e a intensidade utilizada — que são mais difíceis de controlar quando se trabalha apenas com luz difusa, como a dos LEDs.

O “valer a pena” é relativo, especialmente porque esses aparelhos possuem um custo elevado e exigem uso disciplinado a longo prazo para manter os resultados.
Um ponto crucial para o consumidor é entender que a base científica que sustenta marcas famosas, como o HairMax e o iGrow, muitas vezes vem de estudos patrocinados pelos próprios fabricantes, o que exige que interpretemos os dados com cautela devido a possíveis vieses.
Além da questão do patrocínio, existe uma diferença marcante entre a “melhora nos números” e a “melhora no espelho”. Como vimos anteriormente, estudos como o de Yoon e colaboradores (2020) e o de Fan (2018) mostram que apesar de os números mostrarem uma melhora “matemática” na contagem e espessura dos fios, o nível de satisfação dos pacientes que usaram o dispositivo com laser não foi significativamente maior do que o daqueles que usaram o aparelho falso. Isso sugere que, embora o laser funcione para aumentar a densidade e a espessura, o resultado visual no espelho pode ser sutil e nem sempre atende ao que o paciente espera após meses de investimento e uso rigoroso
Outro fator importante é se o uso do laser irá realmente potencializar os remédios que você já usa. A ciência ainda não tem uma resposta definitiva sobre a sinergia entre o laser e o minoxidil, por exemplo. Enquanto Kaiser e colaboradores (2023) observaram que a combinação pode acelerar os resultados nos primeiros dois meses, o tratamento combinado com laser tende a se igualar ao uso isolado do minoxidil após seis meses de tratamento.
De forma ainda mais contundente, o estudo brasileiro de Ferrara, Donati e colaboradores (2021) não encontrou nenhum benefício adicional ao somar a luz ao minoxidil 5% em homens.

A falta de padronização é o que mais complica a indicação precisa desses aparelhos. Como destacado por Maghfour (2025) e Oh e Shapiro (2024), há uma enorme variação nos protocolos: alguns aparelhos usam laser, outros LED, e as doses de energia, tempo de uso e frequência variam drasticamente entre as marcas.
É muito importante lembrar que o cabelo, especialmente o cabelo escuro é uma barreira para a passagem da luz então, se você decidir comprar um dispositivo de luz para tratamento da calvície, você precisa expor o seu couro cabeludo à luz. Ou seja, a não ser que você tenha muito pouco cabelo ou muito curto, você terá que separar os cabelos, dividi-los para expor o couro à luz; do contrário o tratamento pode não funcionar.


A tiara de laser tem uma vantagem em relação a isso pois ao deslizá-la no cabelo ela já vai afastando os fios e criando espaços para a luz alcançar o couro cabeludo.

Tiara com laser (Hairmax laserband)
Portanto, o investimento em um aparelho de fotobiomodulação só é justificável se houver um alinhamento real de expectativas: o laser é um coadjuvante seguro, mas não é um tratamento milagroso e seus benefícios visíveis podem ser modestos diante do alto preço cobrado.
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Referências Bibliográficas: