
Calvície masculina e calvície feminina

Calvície masculina e calvície feminina
Se você sofre com calvície, provavelmente já ouviu falar que a culpa é da genética e dos hormônios. Mas você sabia que, por baixo da pele, pode estar acontecendo um processo de “cicatrização” invisível que impede o seu cabelo de crescer?
Vamos percorrer a linha do tempo das descobertas científicas para entender como chegamos a essa conclusão.
Em março de 2020, um estudo internacional analisou biópsias do couro cabeludo e encontrou inflamação em 73% e fibrose (um tipo de cicatriz) em 68% das pessoas com calvície. Na época, os autores notaram que até pessoas sem calvície tinham sinais parecidos, o que os fez questionar se a inflamação era mesmo a grande vilã.
No entanto, no mesmo ano, pesquisadores brasileiros trouxeram uma peça fundamental para o quebra-cabeça: eles provaram que a microinflamação é muito mais intensa nos fios que estão afinando (miniaturizados) do que nos fios grossos e saudáveis. Ou seja, onde o cabelo está morrendo, a inflamação está atacando com mais força.
Em 2022, a investigação deu um passo além. Descobriu-se que a fibrose atinge a região do bulge (a “casa” das células-tronco do cabelo). À medida que o fio afina, o tecido ao redor dele vai ficando rígido, como se o solo onde a planta cresce virasse concreto. Esse endurecimento impede que o folículo se regenere, sugerindo que precisamos de remédios que combatam essa “cicatriz” para recuperar o cabelo.
Em 2025, um estudo identificou um padrão de inflamação e fibrose presente em 81% dos pacientes com calvície: o padrão PIILIF (Perifollicular Infundibulo-isthmic Lymphocytic Infiltrates and Fibrosis). O mais impressionante é que os autores evidenciaram que esse processo ocorre até em áreas da cabeça que ainda pareciam normais a olho nu. Isso sugere que é um processo silencioso, que pode estar aconteceno anos antes de o paciente notar que o cabelo está afinando.
Muitas pessoas que não respondem ao tratamento padrão de calvície podem então apresentar esse quadro de inflamação e fibrose.
Os pesquisadores mostraram que o hormônio DHT não só manda o folículo encolher, mas também age como um gatilho estimulando as células ao redor a liberarem sinais inflamatórios que levam à criação de tecido cicatricial ao redor o folículo. O folículo começa a ser “emparedado” por um “manguito” rígido de colágeno, que o sufoca e encurta a sua fase de crescimento.

Fibrose ao redor dos folículos
A ciência nos mostra, com estes estudos, que tratar a calvície apenas “bloqueando o hormônio” pode não ser o suficiente para muitos pacientes. Com base nesses artigos, o que precisamos levar em conta é:
Imagine que o folículo capilar é uma planta tentando crescer. O hormônio DHT age como uma praga, mas a fibrose é como se o solo ao redor das raízes se transformasse em concreto.
Não adianta apenas eliminar a praga (com finasterida ou dutasterida) e/ou colocar fertilizante (minoxidil) se o solo estiver tão duro que as raízes não conseguem se expandir.
O tratamento moderno da calvície pode se basear também em “amaciar” esse solo novamente para que o cabelo possa crescer saudável.
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