O que a Ciência Diz sobre as Terapias Regenerativas para cabelo? - Fabiana Caraciolo

O que a Ciência Diz sobre as Terapias Regenerativas para cabelo?

 

A alopecia androgenética (calvície), afeta até 80% dos homens e metade das mulheres ao longo da vida. Recentemente, a medicina regenerativa surgiu com a promessa de não apenas interromper a progressão da doença, mas tentar regenerar o cabelo através de células e fatores de crescimento.

No entanto, a ciência alerta: o entusiasmo comercial muitas vezes supera os resultados reais, e a aplicação clínica dessas terapias tem avançado muito mais rápido do que a coleta de provas científicas seguras.

Abaixo, eu detalho as quatro principais técnicas que têm estado em vidência nas redes sociais:

 

Plasma Rico em Plaquetas (PRP)

 

PRP

 

O PRP consiste em concentrar as plaquetas do sangue do próprio paciente para liberar fatores de crescimento no couro cabeludo. É uma técnica cercada de controvérsias e incertezas.

  • Falta de Padronização: Não existe um consenso sobre como preparar o PRP. Alguns sistemas de coleta falham tanto que produzem “plasma pobre em plaquetas”, com concentrações menores que as do sangue normal.

 

  • Resultados Imprevisíveis: A eficácia depende de variáveis como idade e saúde do paciente, tornando a liberação de fatores de crescimento imprevisível.

 

  • Vácuo Regulatório: Nos EUA e no Brasil, as agências de vigilância (FDA e Anvisa) aprovam os dispositivos de PRP pela sua segurança (não fazem mal), mas não exigem provas rigorosas de que eles realmente funcionem para crescer cabelo antes de serem vendidos. Por isso, no Brasil, tanto a Anvisa quanto o CRM proibem que os médicos façam PRP em seus consultórios cobrando pelo procedimento. O paciente não pode pagar por PRP e ainda teria que ser avisado pelo médico de que está sendo submetido a um experimento e não a uma técnica cientificamente aprovada. Apesar disso, alguns médicos insistem em fazer PRP nos consultórios para aumentar o faturamneto da clínica.

Conclusão: O PRP ainda é altamente inconsistente devido à falta de uma “receita” única de preparo e de estudos melhor executados para confirmar a sua eficácia.

 

 

Fotobiomodulação

 

Fotobioestimulação

A fotobiomodulação utiliza luzes vermelhas ou infravermelhas para estimular a energia das células (ATP) e impulsionar o crescimento do fio.

  • O Problema do Patrocínio e Marketing:  alguns estudo de investigação dos dispositivos de luz são patrocinados pelos fabricantes e a comercialização generalizada desses aparelhos criou um cenário onde dispositivos são vendidos diretamente ao consumidor sem protocolos claros. Isso pode induzir o consumidor ao erro com promessas que a ciência ainda não confirmou totalmente.

 

  • Eficácia Questionável: Embora um estudo de 16 semanas tenha mostrado ganhos de 41,9 fios por cm², outros estudos não encontraram melhorias significativas.

 

  • Limitação de Resposta: Estima-se que cerca de 70% dos pacientes não respondam bem a esse tratamento quando comparado ao uso de medicamentos como minoxidil e  finasterida.

Conclusão: pode ser indicado como um tratamento coadjuvante, a ser utilizado em conjunto com as terapias padrão de aleopecia androgenética, mas sua eficácia é frequentemente exagerada por interesses comerciais.

 

Células-Tronco Capilares

 

Rigenera

 

Nanofat

As células são retiradas de pequenas biópsias da couro cabeluo (Rigenera) ou de gordura (Nanofat) para tentar regenerar folículos. atrofiados.

Os estudos indicam que o sistema Rigenera é uma ferramenta prática por permitir o processamento das células no próprio consultório, mas a sua eficácia clínica ainda é considerada incosistente. Enquanto alguns grupos de pacientes apresentam uma melhora capilar, outros não mostram qualquer melhora, o que reforça o status experimental e a necessidade de mais padronização para esta terapia

Quanto ao Nanofat, o número de estudos publicados é muito limitado e com poquíssimos pacientes nos estudos. Ou seja,

Conclusão: Essas técnicas são promissoras, mas sua eficácia ainda é considerada inconsistente e experimental devido à escassez de dados científicos de alta qualidade.

 

Exossomos

exossomos

Os exossomos são vesículas que funcionam como “pacotinhos” de mensagens enviados de uma célula para outra , e assim  poderiam estimular o crescimento do cabelo.

O mercado está inundado de produtos sem transparência sobre sua origem ou pureza. Casos graves de infecção e sepse já foram relatados devido à fabricação inadequada de exossomos.

O uso de exossomos  deve ser tratado com extrema cautela, pois carece de regulamentação rigorosa e segurança comprovada a longo prazo.

E também não temos, até o momento, evidências científicas suficientes para dizer que injetar exossomos no couro cabeludo dos pacientes funcionam relamnete para queda de cabelo ou alopecia.

A Anvisa e o FDA proibem o uso injetável ds exossomos, porém, alguns médicos ignoram isso e fazem o procedimento motivados pelo lucro financeiro.

Antes de investir em tecnologias caras, certifique-se de que o profissional utiliza protocolos realmnete liberados pelo Conselho Fedreal de Medicina e pal Anvisa. Evite cair em “armadilhas de marketing”.

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